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  • junho 11, 2012
            Se até meu pai, índio velho, mestre nas artes da malandragem arcaica, praticamente um Jedi comedor de vatapá, com todos os seus anos de experiência na área dos ataques femininos, mesmo ele, cai frequentemente nas armadilhas do amor, quem é você pra não cair?
    Mais ou cedo ou mais tarde você cai, meu jovem.

    II

            Como é da natureza daqueles seres que possuem um par de pernas descomunal e de olhar voluptuosamente hipnótico… Elas não param de perguntar. Conseguem tudo que querem fazendo arapucas diárias, mas, haha… Amigo, ela nunca está satisfeita. Se você consegue isso, começo a questionar se você vive em uma Matrix. 
    Falo das mulheres.
    – Ah, como eu to cansado, uhmm… – Dizia Almi enquanto tirava os sapatos sociais que há horas estavam dando um mata-leão em seus pés.  Olha para sua esposa, Leonice, que acabara de tomar sua dose de Anador, como de costume. Ele nota então que ela está de braços cruzados, boca enrugada e olhar de “quero te matar”… Preocupado, pergunta:
    – O que houve?
    – Não sei, pergunte a Liliu. – Liliu é um conhecido dono de boteco, da pequena cidade de Teixeira de Freitas. Almi costumava aparecer ali no tal estabelecimento para, como diz Dona Leu: “tomar umas”.
    – Ah, lá vem você com isso… Nem bebi.
    – É este cheiro de cachaça deve estar vindo de Júnior, é ele quem bebe aqui. – Júnior era apenas o filho destes dois, que agora, só observava calado.
    – Cachaça? Foram algumas cervejas…
    – Do mesmo jeito bebeu.
    – Ah, eu estava cansado, uma cervejinha gelada não tem nada de mais também. – Almi sem saber, já caía em sua armadilha.
    – Dá sua cervejinha gelada você gosta né? Bebe e esquece do pão. Quero ver amanhã, Júnior vai pra escola com fome. Muito bem, Canabrava.
    – Mã-mãe… Ele trouxe o pão… – Júnior disse sussurrando pra sua mãe, enquanto fingia rir de uma piada feita por Pedro Bial.
    – E-ele trouxe? – E olhava para Júnior e para os lados, meio perdida, sem ao menos mover as nádegas da cama.
    – Ta vendo? Você e essa mania de falar demais, achar que já sabe de tudo, ah… – E Almi resmungava enquanto abria o cinto. Por um momento parecia cena de novela das oito. Sabe a típica surra que o marido dá na mulher, o filho tenta apartar e sempre cai perto das roupas jogadas no chão, a mulher grita e ele manda ela se calar? Mas claro, isso não aconteceu.
    – Mas eu não quero pão. Queria uma coisa diferente, mas não tem! É todo dia pão, pão, pão… Não só de pão viverá sua família, Almi…
    (Continua…)

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