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  • junho 15, 2012
             Quantos desencontros a vida proporciona até nos encontrarmos?
    — Caramba, ela está bem ali! Será que ela me viu? Será que ela me viu? Preciso fazer alguma coisa! Preciso me esconder em algum lugar! Mas onde? Onde? Já sei, vou folhear um livro qualquer que estiver aqui na mochila! Droga, mas ela sabe que eu odeio esses livros de filosofia que meu pai vive deixando na minha mochila. Quem se interessa por essas coisas? Um monte de teorias de uns barbudos que não tinham o que fazer e ficavam na praça, conversando fiado. Ah, que se dane, vou abrir um e fingir que estou lendo mesmo!
    — Não acredito, até aqui? Nossa, será que ele me viu? E agora? O que eu faço? Onde eu vou me esconder? Ah, vou fingir que estou lendo esses panfletos que ficam acumulados aqui na minha bolsa, não sei pra quê pego isso. Droga, ele sabe que eu detesto esses panfletos, as pessoas sempre jogam no chão e é por isso que as ruas ficam com tanto lixo. Mas não aguento, fico com pena dos panfleteiros, estendendo a mão ali e ninguém estende de volta. Mas não tenho outra escolha, vou fingir que realmente estou vendo um!
    Eles se esbarram. Ela derruba o livro dele e ele amassa o panfleto dela. O contato visual por mais de cinco segundos é inevitável e as palavras saem quase na mesma hora.

    — Oi!
    — Oi!
    — Que coincidência? – Ela sabe que eu não acredito em coincidências.
    — Né? O destino é assim mesmo. – Ele sabe que eu não acredito em destino.
      

    E eles se encontraram de novo. E se casaram, de novo. Ela decididiu fazer publicidade. Ele decidiu fazer filosofia. E todos os dias eles se escondem um do outro por aí e se encontram de novo em um banco de parque ou uma mesa de bar. Se escondem, pra aumentar ainda mais a vontade de achar, um ao outro. 


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