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  • junho 8, 2012

    Me deparei diante a tela e me senti como quando eu era pequeno e quando aparecia algo novo na minha vida, eu logo abria um sorriso e queria desenhar sobre aquele momento (eu ainda não escrevia muito bem, até arriscava alguns versos no meu caderno das capas arrancadas, ritual que eu costumava fazer pra separar meus cadernos pessoais, dos cadernos da escola). Me senti assim, pequeno, com os olhos cheios de fascínio, um lápis e uma folha em branco, pronta pra ser preenchida por meus riscos tortos.
    Mas dessa vez é diferente. Em partes, né? Meus olhos agora, por exemplo, também estão cheios de fascínio e diante das pessoas que me cercam neste blog, sou pequeno. Sou menor que Luiza aqui, pra vocês terem uma “pequena” noção. Mas dessa vez, as coisas que eu quero escrever vão ser mostradas e não enclausuradas nos meus cadernos desencapados. E isso me traz uma sensação aliviadora e ao mesmo tempo, atormentadora. Sou perfeccionista, embora não demonstre isso, colocando perfeição nas minhas produções, mas eu nunca sei quando é o ponto final, quando é hora de assinar e pôr uma data. Nunca sei quando está pronto. Este texto, por exemplo, para mim nunca vai terminar. O ponto final acaba se tornando um portal para outros questionamentos que me perseguem de madrugada.
    Mas é assim mesmo. Estou até parecendo meu velho, quando bebe umas e reencarna Nietzsche no meio da sala. E eu realmente sou assim. Essa conversa sobre “finais” ou “começos” para mim são muito longos, complexos demais. Por isso dei tantas pausas ao longo desses poucos anos de vida. Me frustrei muito com os resultados e acabei me esquecendo do quão prazeroso é o processo. Nunca gostei daquele papo de “desapego”. Acho radical demais. Mas, com o tempo, entendi que desapego serve também para os resultados. Esse negócio de “pega, mas não se apega” deveria ser substituído para “faz, mas não se apega”. Não se apegar aos resultados é a melhor receita contra a frustração. Já não se apegar as pessoas, não sei, ainda não aprendi. E se você aprendeu, sinta-se livre para compartilhar com o resto do pelotão.
    Enfim, sou um mero aprendiz, talvez esse titulo seja eterno. Eu tenho que comer muito feijão pra chegar onde eu quero. Alguém trouxe farinha?

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